terça-feira, 5 de março de 2013

Cardeal Lajolo diz que cúria foi difamada


Cidade do Vaticano, 5 mar (EFE).- O cardeal Giovanni Lajolo, presidente emérito do'Governatorato' da cidade-Estado do Vaticano, disse nesta terça-feira que 'a cúria, infelizmente, foi difamada', mas só pode afirmar coisas boas dela.

Lajolo, de 78 anos e que participará do próximo conclave para escolher o sucessor de Bento XVI, fez estas declarações na apresentação de seu livro 'Via Crucis'.
O cardeal ressaltou que 'o papa tem na cúria um instrumento dócil, que faz exatamente o que o papa quer e tenta ajudá-lo da melhor maneira possível'.

Com estas declarações, Lajolo fez alusão ao escândalo Vatileaks, a divulgação de documentos privados de Bento XVI e da Santa Sé que revelam intrigas e conflitos na cidade-Estado.

O dossiê do Vatileaks preparado por três cardeais - octogenários e que, portanto, não poderão participar do conclave - só é conhecido por eles mesmos e Bento XVI, que dispôs que a documentação do caso esteja 'exclusivamente' à disposição do próximo pontífice.

O caso Vatileaks pairou sobre os dois primeiros dias de reuniões preparatórias do conclave, devido à possibilidade dos três cardeais informarem os outros clérigos sobre o caso.

Em relação a este assunto, o porta-voz do Vaticano Federico Lombardi afirmou que os cardeis 'sabem em que medida podem e devem dar informações'.
Os cardeais americanos Francis George e Donald Wuerl, garantiram ontem que o assunto do Vatileaks seria abordado.

Existem diferentes opiniões sobre como o escândalo vai afetar o conclave. O cardeal espanhol Carlos Amigo Vallejo garantiu que o assunto terá um peso 'irrelevante'. Entretanto, o brasileiro Raymundo Damasceno disse à imprensa italiana que este assunto seguramente vai influenciar na escolha do papa.

Alguns vaticanistas consideram que o escândalo sobre o vazamento de documentos pode prejudicar as candidaturas italianas, já que a grande maioria dos documentos se refere a casos italianos e a conflitos entre membros da cúria desta nacionalidade.

Sobre o futuro pontífice, Lajola manifestou em uma entrevista à publicação 'QN', que 'os italianos apresentam alguns cardeais de grande valor', mas afirmou acreditar na 'eleição de um cardeal de fora da Europa'.

'Existem regiões do mundo em que a Igreja está vivendo momentos de grande vitalidade, como a América Latina e a Ásia', afirmou Lajolo. O cardeal insistiu que não acredita na existência de 'um automatismo imediato' na designação de um secretário de Estado italiano, caso o pontífice seja de outra nacionalidade.

'De qualquer maneira, isso será responsabilidade do próximo pontífice. Acho que pelo menos, em um primeiro momento, será confirmado Tarcisio Bertone', afirmou. EFE

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