
Poucos dias depois da vitória de Dilma Rousseff (PT) nas #eleições2014 que a reconduziu para o 2º mandato como a primeira presidente reeleita da história do Brasil, a imprensa amplamente noticiou que Dilma teve a sua primeira grande derrota no Congresso Federal. O foco era noticiar que a petista foi reeleita, mas que não tinha apoio entre os deputados em Brasília-DF.
Mais do que tentar mostrar a fragilidade do governo neste 2º mandato em não conseguir adesão entre a maior parte dos legisladores, o fato é que a mídia tradicional omite que não foi a Dilma que perdeu no Congresso, mas sim a população brasileira. Há uma clara intensão do Congresso de não fazer a Reforma Política, muito menos de dar maior participação aos conselhos e movimentos sociais por meio da Política Nacional de Participação Social.
O grande embate político hoje se chama Participação Popular. Imagina o povo podendo interferir diretamente na escolha de um ministro, secretário, diretor ou superintendente de órgãos públicos? Imagina o povo acolhendo ou derrubando propostas governistas ou neoliberalistas? Imagina o povo retirando de órgãos públicos os políticos ou servidores que não tem compromisso social? Tudo isso reflete diletantemente na perca de poder.
Alguns podem falar: mas isso já existe? Já. Alguns conselhos no Brasil possuem força de representação social, além de serem órgãos deliberativos. Mas não são todos. Alguns conselhos funcionam de fachada, outros até funcionam para valer, mas tem o ministro ou o secretário como presidentes. Daí pergunto: se um membro do governo está presidindo um conselho, como lutar por propostas que nem sempre vão de encontro ao clamor popular? Complicado.
É claro que o que estou apresentando neste texto é só a superfície do processo. Uma Reforma Política ou a aprovação de uma política que regulamenta os direitos e deveres dos conselhos e movimentos sociais implica diretamente na mudança de todo um esquema político que existe há anos no Brasil: a influência de cargos e a politicagem.
Há um grupo no nosso país que quer a desigualdade social e a volta de políticas mais neoliberais, de deixar o “mercado guiar a economia do país pelas suas mãos invisíveis e parciais”. O que eles esquecem é que todos nós fazemos parte do “povo brasileiro”. Deixar apenas uma parte (mais rica e abastada) comandar, definitivamente, não é Democracia.
Liderança
Dilma Rousssef (PT) foi reeleita presidente, mas tem uma bomba relógio no colo. Ela precisa reconquistar o apoio do Congresso e do Senado para ter o mínimo de governabilidade. Para isso, ela irá precisar escolher melhor os seus líderes de governo no Legislativo, alguém que consiga ter persona política suficiente para unir a coligação que a reelegeu até o final do mandato.
Em artigo publicado no seu blog no UOL, o jornalista Fernando Rodrigues lembra que Dilma já sinalizava perda de apoio política quando teve a derrota da aprovação do Código Florestal. De forma subliminar para uns ou clara para outros, historicamente, o Congresso e o Senado vem mandando o seguinte recado: não queremos perder PODER. Tudo que implica isso será derrubado.
Talvez esteja aí, o principal argumento da presidente Dilma quando evoca o plebiscito para a Reforma Política ou até mesmo uma constituinte. O povo precisa participar destas mudanças. E a imprensa precisa colocar a mão na consciência e entender que a participação popular é necessária para a condução deste processo de mudança. Mudança esta que foi reivindicada nas Manifestações de Junho do ano passado. Será que teremos que voltar para as ruas novamente?
Artigo editado com base em matérias publicadas no Uol / Folha de São Paulo / Walter Lima / Jornalista
Artigo editado com base em matérias publicadas no Uol / Folha de São Paulo / Walter Lima / Jornalista
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