"Cada um de nós deve colaborar para a unidade da igreja". O recado foi dado hoje pelo decano do Colégio de Cardeais, Angelo Sodano, na última missa antes do início do conclave que escolherá o novo papa.
Falando aos colegas que participarão da eleição secreta, Sodano citou São Paulo na "Carta aos Efésios", escrita em Roma entre os anos 62 e 63 d.C. O texto tem quase 2 mil anos, mas parece feito sob medida para o momento atual do catolicismo.
Um dos 12 apóstolos de Cristo, Paulo fez milagres, segundo as escrituras, mas não seria capaz de prever a divisão da igreja que ajudou a construir, envolvida em escândalos de pedofilia e corrupção na Santa Sé.
As denúncias, diga-se, não chegam a ser a maior preocupação do clero. O que mais ameaça os católicos é a perda constante de fiéis, um movimento vertiginoso que não distinguiu os pontificados do carismático João Paulo 2º e do ensimesmado Bento 16.
O próximo papa terá a missão de estancar a sangria, preservar o rebanho e devolver credibilidade à Santa Sé. Seja quem for, precisará fazer milagres. E isso, como sugeriu o cardeal Sodano, só será possível com o apoio de uma igreja menos desunida.
Bernardo Mello Franco é correspondente em Londres. Jornalista formado pela UFRJ, já trabalhou no Rio, em Brasília e em São Paulo. Está na Folha desde março de 2010. Antes, passou pelo "Jornal do Brasil" e pelo "Globo". Escreve às quartas-feiras.
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