quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Cebrian: "Só o jornalismo pode servir de contestação ao poder "


Presidente do 'El País' diz que a distribuição da imprensa é ameaçada pelo fechamento de bancas 


Presidente do El País, Juan Luis Cebrian, afirmou hoje em Lisboa, que "o jornalismo independente e profissional se baseia no auto-financiamento da mídia", e que só o jornalismo profissional, independente e com recursos econômicos próprios pode exercer uma das tarefas essenciais dos meios de comunicação: "a contestação ao poder, porque eles sabem que notícia é aquilo que alguém não quer que se conheça ", diz artigo publicado no jornal espanhol. 

Cebrián participou de um painel de discussão em Lisboa com o título “A independência e competitividade da mídia em tempos de crise” dentro de uma jornada de reflexão sobre o jornalismo na rede portuguesa de televisão TVI, pertencente ao grupo Media Capital, com participação em 80% pelo Grupo Prisa. Cebrián começou sua fala alertando para o sombrio panorama que ameaça os meios de comunicação. 

Ele lembrou que a publicidade anteriormente alimentada para os jornais migrou para os recursos de busca como o Google. Ele observou que o Google, por exemplo, já conta com mais publicidade do que todos os jornais norte-americanos e que esta tendência está crescendo na Europa e os EUA. "Além disso", ele acrescentou, "bancas fecham, como as livrarias. A distribuição do nosso produto está ameaçada." 

O primeiro diretor do El País acrescentou que, apesar de todas as pontuações e tentativas em muitas direções", o modelo de negócio ainda não é conhecido." "Não, nenhuma empresa jornalística ou de comunicação hoje tem a resposta de como será o modelo de negócio ou, pelo menos, existe", lamentou, de acordo com a reportagem. 

Não só existe uma ameaça econômica. Também ética. Dada a crescente onda de informações feitas e consumidas pelos próprios usuários de internet, Cebrian foi perguntado se neste mundo que dispensa intermediários faz sentido o papel do jornalista, que é, por definição, um mediador. E ele respondeu: "Sem jornalistas profissionais com curiosidade e capacidade de indignação que utilizem fontes confiáveis e que confirmem a informação, que publiquem informações precisas, será difícil saber como funciona esta sociedade ". Acrescentou que na rede, entre outras coisas, circulam muitas mentiras, boatos e rumores ??baseados em informações fidedignas. Para Cebrian, um exemplo da necessidade e relevância dos jornais foi o caso do Wikileaks: "Eles precisavam de jornais para dar às suas informações credibilidade e contexto ", diz a reportagem no El País. 

Mas depois ele se referiu ao exemplo ilustrativo da Wikipedia, feito inteiramente com contribuições de usuários. "Wikipedia esconde muitos erros. No entanto, apesar de muitos erros, paradoxalmente, é muito mais comentado que a Enciclopédia Britânica, que também está ao alcance da mão em um clique". 

O advento da Internet, por Cebrian, não é uma mera mudança de atitudes sociais. É uma revolução social e de civilização comparável, na história da humanidade, a invenção do alfabeto ou da imprensa. E nesse olho do furacão está imerso o próprio jornalismo. 

Mas não só. Na opinião de Cebrian, a democracia participativa, questionada hoje em muitos países, também sofre com a crise do jornalismo. "Como se fará para expressar a opinião pública em um país se não existem jornais de referência?", perguntou o presidente do El País. Após Cebrian, outro participante do evento, o escritor e jornalista Miguel Sousa Tavares encorajou os jornalistas "para sair, esquecer da Internet e farejar notícias fora", conclui o artigo.


Da redação Walter Lima / Com enfoque do Jornal do Brasil

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