terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Crack, o mal do século XXI.





Meninas de ruas utilizando o crack 



Um nome pequeno, mas com um efeito devastador, crack. A droga é derivada da cocaína e causa dependência rapidamente. Os estragos causados por ela têm ganhado a atenção da sociedade brasileira. O crack mata e tem feito várias vítimas que são capazes de tudo para manter o vício. Com isso, sofre o dependente químico, a família e a sociedade.

Por apenas R$ 10,00 a pedra de crack pode ser encontrada e cada vez mais fácil. Por ser barata, atinge principalmente os jovens de classes mais baixas, mas qualquer jovem pode ser considerado um usuário em potencial. De acordo com estudos, o consumo de drogas ilícitas está diretamente ligado à criminalidade.

Segundo estudos sobre o mapa da Violência no Brasil, dois pesquisadores Daniel Gonzáles e Jorge Werthein, membros da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), revelam que na década de 1994 a 2004, o número de homicídios foi de 32.603 para 48.374, um aumento de 48,4%. Por ano, cerca de 50 mil homicídios são registrados, o que significa 137 vítimas por dia.

Mas há um cuidado em separar o usuário do traficante. Em 2006, foi aprovada lei 11.343 que institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas e dentre as medidas está essa diferenciação. Ao usuário, não cabe prisão, mas está sujeito à advertência, trabalhos comunitários e a participação em programas educativos.

O objetivo é descriminalizar e tratar o dependente químico como doente, sendo assim tratado no âmbito da saúde pública e não no criminal.

Segundo especialistas, o tratamento contra a droga é mais difícil. A sensação de prazer proporcionada pelo crack é 500% maior que a do sexo, da comida e do exercício físico. A droga causa convulsão, elevação da pressão arterial, arritmias cardíacas, fibrose pulmonar e reflexos no sistema nervoso, como psicose, delírio e alucinação. 

A dependência pode acontecer a partir da primeira ou segunda experiência com a droga. Ela chega ao cérebro de 10 a 15 segundos depois de fumada, mas tem efeito efêmero, de cinco minutos.

Explicam que pela influência das drogas ilícitas no território brasileiro, a sociedade vem experimentando pelo menos duas tendências preocupantes: o aumento assustador da delinquência urbana, em especial dos crimes como roubo, extorsão, sequestro e homicídios; e a emergência da criminalidade organizada, em particular em torno do tráfico internacional de drogas. 

Juntas, elas causam graves violações dos direitos humanos, comprometendo a consolidação da ordem pública.

De 2009 para cá, o número de homicídios cresceu 45%. Para a polícia, o tráfico de drogas é responsável por 70% dos assassinatos registrados diariamente.

“O narcotráfico potencializa e torna mais complexo o repertório das ações violentas por sua estreita relação com o comércio ilegal de armas. A “indústria da droga”, para sustentar o tráfico, distribui fartamente armas de fogo e, ao mesmo tempo, impõem regras de extrema violência para proteger suas atividades, desenvolvendo as altíssimas taxas de homicídios vividas pelo Brasil”.

Destacam ainda, algumas estratégicas fundamentais para reverter esse quadro:

A primeira é a repressão ao crime; em segundo a avaliação dos efeitos da descriminalização do uso; em terceiro, ter uma forte política de prevenção e por último, é preciso reconhecer o acesso universal ao tratamento dos dependentes químicos.

“Desta forma fechando os três pilares fundamentais para a estruturação de uma política eficaz de combate às drogas: a repressão, prevenção e recuperação dos dependentes químicos”.


Pesquisas apontam: 81% das cidades no estado da Paraíba têm crack


Criança fumando o Crack nas da cidade

Pelo menos 81% dos municípios da Paraíba têm registros de crack. Foi o que revelou um estudo divulgado, em novembro passado, pelo Observatório do Crack, da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). A pesquisa mostra que, entre 164 cidades paraibanas pesquisadas, 133 possuíam circulação da droga. Cabedelo, Itabaiana, Pilar, Ingá, Santa Luzia, Patos, Sousa e Itaporanga estão entre os que apresentam alto nível de consumo do entorpecente. Já João Pessoa, Santa Rita, Campina Grande, Soledade, Picuí, Uiraúna e Cajazeiras estão no nível considerado médio.

O que as estatísticas policiais mostram, no entanto, é que as drogas já existem em todos os municípios. Apesar do domínio da droga em cidades de todas as regiões do Estado, não há atendimento especializado para toda a Paraíba. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), existem 71 Centros de Assistência Psicossocial (CAPS), sendo apenas oito com foco em álcool e drogas, nas cidades de Cabedelo, Cajazeiras, Campina Grande, Guarabira, Patos, Piancó, Sapé e Sousa, e somente outros dois com capacidade de internação e atendimento 24h, ambos localizados em João Pessoa.


Da redação Walter Lima / jornalista 

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