Os líderes dos partidos e o
presidente do Senado, senador José Sarney, se reúnem na terça-feira
(12), a partir das 15h30, para tratar da pauta de votações do Plenário.
Entre outros assuntos, os participantes terão de decidir que prioridade
vai merecer a proposta de emenda constitucional de autoria do senador
Paulo Paim (PT-RS) que acaba com o voto secreto nos processos de
cassação de mandatos.
A PEC 50/2006 está pronta para votação, em
primeiro turno, e sua inclusão na pauta de quarta-feira (13) foi
determinada por Sarney no último dia 5. Dependendo da posição da matéria
na lista das examináveis, o exame da proposta ganhará maior ou menor
celeridade.
Rapidez é o que quer, por exemplo, o senador Álvaro
Dias (PSDB-PR), ele próprio autor de uma PEC, a 86/2007, prevendo o fim
do voto secreto para as cassações.
Em sentido contrário, o líder
do PTB, senador Gim Argello (DF), pede prioridade para as matérias que
tratam de crédito, do ICMS sobre o comércio eletrônico e das obras do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O senador pelo DF
citou a Medida Provisória (MP) 559/2012, que autoriza a Eletrobras a
assumir o controle acionário da Celg, companhia de distribuição de
energia elétrica de Goiás, cuja dívida chega a R$ 6,4 bilhões. Na Câmara
dos Deputados, a matéria recebeu como acréscimo um item que estende o
Regime Diferenciado de Contratações (RDC) para obras do PAC e do sistema
público de ensino.
Além da PEC de Paim e de Alvaro Dias, há outra
limitando o voto secreto. 38/2004, de autoria do ex-senador e atual
governador do rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB).
A proposta de
Paim é a que está mais adiantada. Já passou por cinco sessões de
discussão. Desde que foi aberto processo por quebra de decoro contra o
senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), Paim e outros parlamentares,
como Pedro Simon (PMDB-RS) e Pedro Taques (PDT-MT), passaram a cobrar a
instituição do voto aberto.
De acordo com a proposta, passarão a
ser abertas as votações para decidir sobre perda de mandato de deputado
ou senador por descumprimento de conduta prevista na Constituição,
quebra de decoro ou condenação criminal. Também serão escolhidos por
voto ostensivo, após arguição, governador de território e dirigentes do
Banco Central.
A PEC também altera a Constituição para determinar
que sejam abertas as decisões, em sessão conjunta do Congresso, sobre
veto presidencial.
Como exceção, a proposta mantém o voto secreto
na escolha de magistrados, ministros do Tribunal de Contas da União e
procurador-geral da República, além de presidentes de agências estatais
ligadas a serviços de inteligência e assuntos estratégicos.
Transparência.
Para os autores da PEC, o fim do voto secreto do parlamentar atende a
clamor popular por maior transparência da atividade parlamentar,
respondendo a apelo moral e ético. Eles argumentam que a democracia
brasileira exige a abolição da prática, uma vez que o país não está mais
sob regime autoritário, "quando se fazia necessário ocultar o voto do
parlamentar em face a represálias e para proteger o exercício das
funções parlamentares".
Câmara. Na Câmara dos Deputados, a PEC
349/2001, do ex-deputado Luiz Antonio Fleury, veda o voto secreto nas
deliberações do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados e do Senado
Federal e estende a vedação às Assembleias Legislativas dos Estados, à
Câmara Legislativa do Distrito Federal e às Câmaras Municipais.
O
texto aguarda votação em segundo turno desde 2006 pela Câmara. Após a
absolvição da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) em processo de cassação,
em agosto deste ano, 13 deputados apresentaram requerimentos pedindo a
inclusão da PEC na ordem do dia para a votação em segundo turno. Para
grande parte dos parlamentares que se pronunciaram após a votação, a
deputada foi absolvida por causa do voto secreto.
Diploma. A
exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista é outra
matéria que poderá ser votada nesta semana. A Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) 33/2009 volta à pauta do Plenário do Senado na
próxima segunda-feira (11) depois de ter sido aprovada em primeiro turno
em novembro do ano passado.
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