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terça-feira, 16 de julho de 2013

Mas o que vem a ser cultura literária ...

Esta semana lendo um artigo publicado por Emanuel Dixit em seu blog, ele retratava que em regra geral,  e nas rodas ecléticas quando se discute literatura, as conversas giram em torno da qualidade do romancista A em comparação com o B, ou a técnica do poeta X em oposição ao Y. Sendo válidas e necessárias, estas abordagens, mas que pecam por uma grande incorreção logo na sua gênese que, para a maioria das pessoas, passa despercebida.

É normal, e já me tem acontecido, ouvir alguém dizer que "fulano" tem uma cultura literária muito grande porque conhece quase todos os romancistas importantes e consegue lembrar-se sempre de versos dos poetas essenciais. 

Isso para mim, apesar de demonstrar algum conhecimento, não é prova de cultura literária. É evidente que quem tem um vasto saber, no que à escrita criativa diz respeito, consegue sempre passar a imagem de entendido e, aos olhos dos mais desatentos e leigos, transforma-se num gênero de "expert" cultural.

Mesmo podendo aprender muito com a leitura destes gêneros literários, acho que é fundamental para o desenvolvimento cultural de um povo que também se leiam livros com maior assertividade educativa. Estou convicto da importância de se ler sobre ciências, filosofia, história, artes, etc.

Muitos podem dizer que a maioria dessas temáticas são abordadas em romances, contos, novelas e livros de poesia mas a grande verdade é que, por mais informativo ou didático que seja esse livro, as referências a outras áreas do pensamento são simples apêndices ou ferramentas de auxílio aos enredos. 

Ninguém se transforma em grande conhecedor de geografia ou tecnologia aeronaútica só porque leu os livros de Júlio Verne. Ninguém é perito em psicologia por ter lido Dostoievski. Quem leu toda a obra de Pessoa não é especialista em esquizofrenia. Nem quem leu Camões é entendido em mitologia.

Quanto a mim, e não sou o único a pensar desta forma, ter cultura literária é bem mais do que ler Kafka, Dostoievski, Hemingway, Júlio Verne, Rimbaud ou Herculano, Garrett, Agustina, Pessoa e Camões.

Concordo que se debata as questões que diferenciam cada autor, seja romancista, poeta ou novelista, mas a literatura não se limita a estas vertentes da escrita, mais do foro criativo. O panorama literário é mais vasto e não se é mais culto que os restantes só porque lemos os clássicos.

A cultura literária constrói-se diversificando os nossos hábitos de leitura. Leiam os clássicos, os menos clássicos, os que nunca serão clássicos, mas não se limitem a isso. Expandam o vosso conhecimento lendo ensaios, biografias, livros de arte, ciências, história, filosofia, etc.


Saber nunca ocupou lugar.



Da redação Walter Lima / Jornalista 

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